O orelhão na era do celular
por Adão Marcio em September, 2007 // Arquivado em → Dicas

O Brasil tem mais de 100 milhões de linhas de celular, mas na hora de fazer uma chamada, muitos brasileiros preferem mesmo o bom e velho orelhão: números mostram que, só em São Paulo, a venda de cartões telefônicos cresceu 12% no último ano. Apesar de importante e necessário, o telefone público é alvo preferencial dos vândalos.
Com o celular em punho, encontramos o estudante Willians Barbosa usando um telefone público. “Ah, o celular eu uso só pra receber. É pai de santo, né? Só recebe!”, ele brinca.
Numa das principais operadoras do país, a ligação feita de um orelhão para um telefone fixo sai por R$ 0,06 o minuto. A mesma ligação feita de um celular custa, em média, um R$ 1,38; o valor é 23 vezes maior. Quando a ligação é para um celular, a tarifa do orelhão é quase a metade – R$ 0,70 o minuto, contra R$ 1,38 de celular para celular.
Resultado: a venda de cartões telefônicos cresceu 12% no último ano.
Um corretor de seguros fez de um orelhão uma espécie de escritório: vai para lá todo dia. “Às vezes fico duas, três horas”, ele conta.
Mas o tratamento que o telefone público recebe não é digno da importância que ele tem. Só no estado de São Paulo, 25% dos orelhões são destruídos a cada mês. Ou seja: em apenas quatro meses, não restaria mais nenhum telefone público funcionando.
Para que os vândalos não calem quem precisa do orelhão, técnicos trabalham pra substituir os telefones em até oito horas e recuperar os que foram depredados. E não é fácil: encontram aparelhos sem o teclado, sem o fone, incendiados. Apenas em São Paulo, o prejuízo é de R$ 14 milhões por ano.
O Brasil tem quase 190 milhões de habitantes, e pouco mais de um milhão de telefones públicos.
Fonte: Jornal Hoje













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